
Seminário aberto e gratuito! Inscrições podem ser feitas enviando um e-mail com nome completo para o endereço: bemviverusp@gmail.com.

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O grupo de pesquisa Bem-Viver USP seleciona estudante de graduação para Iniciação Científica com bolsa Fapesp, com atuação no projeto: “Limites e possibilidades para o bem viver de estudantes negros em instituições de ensino superior”.
Esse projeto que tem como objetivo descrever e analisar o bem viver de estudantes em instituições de ensino superior, investigando seu bem-estar subjetivo, os episódios de preconceito e discriminação étnico-racial no ambiente acadêmico, os serviços de acolhimento e assistência psicossocial que são oferecidos pelas universidades, as formas de organização dos estudantes e o apoio oferecido por suas famílias para continuidade dos estudos.
O processo seletivo é de responsabilidade do professor Livre Docente Alessandro de Oliveira dos Santos e se destina a estudante de curso de nível superior na área de ciências humanas, com ausência de reprovações em histórico escolar e desejável experiência em pesquisa.
As inscrições devem ser realizadas até o dia 17/05/2021 até 23:59
Se interessou pela oportunidade? Acesse o edital completo para saber mais:

Seminário aberto e gratuito! Inscrições podem ser feitas através do site sympla.
Para anestesiar minhas noites durante os períodos de distanciamento físico (absolutamente vitais no combate a pandemia da Covid-19) eu gasto muito tempo rolando a tela da TV, incessantemente, no menu da NetFlix. Via de regra, afogo-me em tempestades de trivialidades, cravejadas de rostos jovens, muito pálidos, e corpos desumanamente esquálidos ou monstruosamente musculosos.
Esta semana, encontrei um título novo “Cidade Invisível”, produção nacional que faz referência ao folclore brasileiro. A trama promete misturar personagens do folclore no cotidiano de pessoas comuns, nos dias de hoje. Contudo, essas pessoas comuns, não são tão comuns assim, e é esse o fato que me interpela.
Sendo uma representante, finalmente, orgulhosa da cultura caipira e tendo crescido no Vale do Paraíba paulista, a proposta me pareceu tentadora. Intrigada, iniciei a série e em poucos minutos a predominância absoluta de personagens brancas me choca profundamente.
Sendo uma pesquisadora de dinâmicas étnico-raciais – racismo, preconceito, discriminação, branqueamento, branquitude – alguns gatilhos me despertam desconfiança imediata, como a monopolização do tempo de tela por pessoas brancas, ou seja, o lapso de tempo dedicado a determinada personagem em uma obra audiovisual.
Logo no início da série percebe-se que a personagem principal será um policial, homem-branco-jovem-atlético, olhos verdes, cabelos claros, másculo, armado e de corpo musculoso, daqueles que requerem horas de exercícios físicos diários e dieta específica – não ele não ficou assim por acaso. Atenho-me na descrição de seu físico e estética, porque a personagem é retratada em longos momentos expondo o torso nu e o abdômen trincado, no chuveiro, na rua, na fazenda ou numa casinha de sapé. Há também longos close-ups (recurso cinematográfico para enquadrar alguém em primeiro plano) em seu rosto, ou olhos verde-claro, como em rituais de reverência ou doutrinação àquela imagem. A mensagem não é subliminar, é aviltante, é concreta: admirem este rosto, este corpo, estes olhos – eis aqui o belo.
O galã-protagonista é tão dentro dos padrões de beleza e masculinidade promovidos pela elite branca que caso houvesse uma lista de requisitos (checklist para Netflix combina mais) ele atenderia a todos, o nariz dele é mais fino que o da Xuxa, tipo aquelas imagens de Jesus Cristo loiro de olhos azuis, sabe?
Por isso, já nos primeiros minutos eu desisti, recuperei meu espírito e fui assistir algum documentário, algo que não fosse tão descaradamente uma promoção da estética da branquitude. Coincidentemente, no dia seguinte, ume amigue me disse que o tema da série era interessante, por transportar o folclore brasileiro para os dias atuais. Apesar de considerar a escolha de elenco e protagonistas um desrespeito para com a população negra, para com o grande maioria da população que difere amplamente das estéticas promovidas, decidi dar uma segunda chance à trama, minha curiosidade caipira havia sido aguçada.
Assim, influenciada por minhe amigue, eu decidi ver mais um pouquinho da palhaçada (com todo respeito aos palhaços que são pessoas fantásticas). Enfim, não bastasse o galã, o resto de tempo de tela é monopolizado por mais personagens brancas, ou melhor, branquíssimas, a filha loira do protagonista, sua avó, sua esposa (pálida de olhos claros), sua colega de trabalho, o delegado e a Alessandra Negrini (no papel da Cuca, certamente após séculos de anemia profunda e sem andar pela floresta).
Empresto neste texto, com a devida referência, alguns termos utilizados pela pesquisadora e psicóloga Lia Schucman em sua tese de doutorado, “Entre o encardido, o branco e o branquíssimo”, na qual a pesquisadora retrata e denomina a gradação de tonalidades de pele e traços fisionômicos. O branquíssimo é aquele que tem a pele muito clara, os olhos e cabelos claros e os traços finos, associados à ascendência norte-europeia, um modelo idealizado de brancura. Ao passo que o branco e o encardido, são brancos que apresentam quaisquer traços que remetam à raça-etnia negra. O protagonista da série é um representante do grupo branquíssimo, essa escolha não é uma coincidência, ela reflete interesses da elite branca que ainda domina o país.
Detalhe, no decorrer da trama descobre-se que o galã é filho do boto-cor-de-rosa, papel interpretado por um homem pardo de olhos negros, representando uma pessoa indígena da região Norte. Pelas minhas contas de genes recessivos versus genes dominantes, ele não poderia ter um filho de olhos verde-claro.
Alguns dos personagens, obviamente, tiveram que ser interpretados por pessoas de outras cores de pele, o saci, o curupira, a Iara. Ou seja, a equipe que selecionou o elenco obrigatoriamente teve que se atentar a alguns requisitos mínimos de raça-etnia. Logo, não dá para dizer que raça-etnia são fenômenos invísiveis na “Cidade Invisível”, ou seja, essa invibilização das pessoas de pele escura não é obra do acaso.
Não obstante, referenciar os contos e histórias do folclore brasileiro tem seu valor, eu sou caipira, essas histórias fazem parte da minha trajetória, elas falam de pessoas indígenas e negras com poderes mágicos, falam de divindades de matriz Africana, de protagonistas com traços fisionômicos, cabelos e peles que reconheço na área rural onde vivo. Eu confesso ter assistido a série completa, porque, de alguma forma, pensar que essas entidades mágicas da minha infância habitam entre nós é algo intrigante, revigorante, um breve alento face a realidade social e política que combatemos desde 2019. Vislumbrar o extraordinário em um momento tão tenebroso pode trazer até algumas notas de esperança. Contudo, continuar celebrando e promovendo um padrão branco de beleza de forma tão descarada deveria ser considerado um crime. Discutir, problematizar e apontar tais incoerências étnico-raciais são também formas de combater privilégios simbólicos de uma minoria branca, uma estética que domina as produções nacionais desde o início da teledramaturgia brasileira.
Gabriel Siqueira, mestre em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo, Integrante do grupo de pesquisa Bem Viver USP.
O artigo “Esporte, Psicologia e Racismo: É Possível uma Psicologia do Esporte Antirracista?” assinado pelo Dr. Marcio Antonio Tralci Filho e seu orientador Alessandro de Oliveira Santos foi publicado no vol. 40 da revista “Psicologia: Ciência e Profissão” e discute as interseções entre os eixos temáticos esporte, psicologia e relações raciais.
Esse artigo é fruto da tese de doutorado de Tralci, formado em educação física, ele conta que sempre se interessou pelos aspectos socioculturais que envolvem o fenômeno esportivo, o que o levou a pesquisar especificamente os aspectos étnicos-raciais da temática.
De acordo com o artigo, a construção histórica ocidental do esporte caracterizou-se como ferramenta de construção da estética e da masculinidade da Elite burguesa e como construção do ideal de dominação colonizador europeu no século XIX. Isso em detrimento dos jogos corporais presentes nos nativos americanos, africanos e asiáticos, cujas práticas eram categorizadas como menos valorosas e, consequentemente, não esportivas.
Em nossa entrevista Tralci descreve a dificuldade em encontrar materiais em língua portuguesa que abordassem o olhar sociocultural sobre negritude e racismo no esporte, encontrando majoritariamente artigos com enfoques fisiológicos. A exemplo desta dificuldade ele menciona o livro Beyond a Boundary (1963) do autor caribenho C.L.R James. O livro foi referência em seu trabalho, mas teve de ser usado em inglês, pois nunca foi publicado em português.
No decorrer do artigo ele segue então para seu principal objetivo: compreender os limites e possibilidades da Psicologia do Esporte frente ao racismo estrutural no ambiente e nas relações esportivas. Para isso, a pesquisa foi composta por oito entrevistas realizadas com quatro psicólogos e quatro psicólogas com experiência na Psicologia do Esporte, analisando, através da Teoria Crítica de Raça, narrativas sobre a atuação desses profissionais.
Durante a entrevista, Tralci relatou que a pesquisa mostrou algumas estratégias utilizadas pelos Psicólogos do Esporte para atuarem de modo mais integral e considerando o contexto social, em uma indústria que os pressiona a buscar dos atletas exclusivamente uma performance de alto rendimento, ainda que alheia ao sujeito.
O artigo completo pode ser acessado através do link.
O Coordenador do Grupo Bem Viver USP Alessandro de Oliveira dos Santos integra a Mesa “Por uma psicologia afrodiaspórica: colonialidade e devir na América Latina”, que ocorrerá no dia 02/04/2021 das 19h às 21h através do youtube.
A mesa foi proposta pelo Núcleo Baixada Santista da Associação Brasileira de Psicologia Social São Paulo (ABRAPSO-SP) e, contará com a participação dos seguintes convidados:
– Alessandro de Oliveira dos Santos (IPUSP)
– Danielle Almeida (Diaspórica e Instituto Feira Preta)
– Alessandro de Oliveira Campos (Redes Pretas de São Paulo e Centro de Capoeira Angola Angoleiro Sim Sinhô)
– Mediação: Adriana Eiko (UNIFESP-BS)
De acordo com a associação a mesa tem por objetivo: “falar em colonialidade e devir na América Latina – o que significa trazer para o debate crítico da Psicologia Social essa especificidade da vivência da diáspora de negros no Brasil e em outros países da América Latina, compreendendo os efeitos do racismo estrutural e estruturante na constituição de nossa realidade, bem como narrar a história à contrapelo, ao potencializar as resistências e as lutas históricas no sentido da emancipação e libertação.”
A apresentação poderá ser acompanhada ao vivo no youtube através do link e para a disponibilização de certificados basta se inscrever no site da ABRAPSO.
Nesse vídeo a aluna de Iniciação Científica e bolsista pela FAPESP Liliane Uratsuka, apresenta brevemente seu segmento de pesquisa: Relações Étnicos-Raciais e a Vivência dos Estudantes Amarelos.
A doutoranda Alina Kaledina Ortega, fará a desesa de sua tese “Gustavovich Shpet (1879-1937) e a Psicologia Étnica na Rússia” no dia 26 março de 2021 das 14:00 às 18:00. A banca avaliadora será composta pelo orientador Alessandro de Oliveira dos Santos. Gustavo Martinelli Massola (Especialista em psicologia social, psicologia socioambiental, constituição psicossocial da identidade e controle social), Ana Silvia Ariza de Souza (Especialista em psicologia sócio-histórica. Experiência no campo psi com saúde na perspectiva ético-política) Ilana Mountian (Especialista em epistemologia, metodologia, estudos de gênero, estudos pós-coloniais e psicanálise) e Valéria Nanci Silva (Especialista em psicologia social, desigualdade de gêneros; estigma e discriminação).
O resumo da tese de Alina pode ser lido abaixo:
“Situado no campo dos estudos sobre a influência e recepção, no Brasil e nos Estados Unidos da América, da psicologia produzida na Rússia, este trabalho teve como objetivo apresentar as principais ideias de Gustav Gustavovich Shpet (1879-1937) e refletir sobre o surgimento da Psicologia Étnica como abordagem significativa da psicologia produzida na Rússia, bem como acerca da ausência de sua continuidade.
Buscou-se investigar: (a) quais produções intelectuais influenciaram Shpet quando o autor formulou sua proposta de construção da Psicologia Étnica; (b) como Shpet entendia o objetivo e o método da Psicologia Étnica e quais eram os conceitos principais desta área; e (c) se houve diálogo entre as teorias dos psicólogos russos posteriores a Shpet e a proposta formulada por ele. Para isso, tomando como referência os métodos de pesquisa utilizados em estudos de história da psicologia, realizou-se o seguinte procedimento: foram selecionadas obras que influenciaram a produção criativa de Shpet e elaborou-se um resumo destas obras, contendo seus principais conceitos e ideias.
Em seguida, fez-se a tradução do russo para o português da obra “Introdução à Psicologia Étnica”, publicada em 1927 por Shpet, e, a partir dela, desenvolveu-se um resumo contendo os principais conceitos da Psicologia Étnica, seu objetivo e método de investigação.
Por fim, foi efetuada uma revisão bibliográfica tanto a respeito das abordagens da Psicologia Soviética que sofreram influência da Psicologia Étnica e das abordagens da Psicologia Social brasileira que sofreram influência da Psicologia Soviética, quanto em relação aos estudos interculturais e sobre raça-etnia realizados inicialmente pela Psicologia Social brasileira. Seguindo essa metodologia, chegou-se a algumas descobertas: as ideias dos pensadores alemães Wilhelm Wundt, Moritz Lazarus e Heymann Steinthal e suas propostas para construir a Völkerpsychologie (Psicologia dos Povos) foram as principais influências intelectuais de Shpet; o objeto da Psicologia Étnica, para Shpet, é a coletividade como atitude psicológica coletiva em relação à cultura; a Psicologia Étnica é proposta como uma ciência descritiva, cujo método envolve a análise e interpretação de signos; as pesquisas interculturais e étnico-raciais foram interrompidas na Rússia por um longo período, devido a questões políticas, e, por isso, a psicologia da União Soviética não incorporou a Psicologia Étnica. Embora a concepção de Shpet não tenha tido continuação, os principais conceitos propostos pelo autor, como coletividade, tipo coletivo, interação e identificação dialogam coconceitos da Psicologia Social contemporânea, como estereótipo, interação social e identidade.”
A defesa ocorrerá através da plataforma google meets e será aberta ao público.

A pós doutoranda Jackeline Aparecida Ferreira Romio, membro do grupo Bem Viver USP, fará parte da coordenação do seminário virtual: Afrodescendencias, Justicia Racial y Derechos Humanos, do Consejo Latinoamericano de Ciências Sociales, que terá início no dia 25/03/2021. As apresentações ocorrerão em português!
O evento contará ainda com a participação de Tarsila Flores (Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura» para FIOCRUZ/Escola Nacional de Saúde Pública), Cidinalva S. C.Neris (Universidade Federal do Maranhão) e Katia Regis (Universidade Federal do Maranhão). Incrições podem ser feitas no link, até o dia 20/03/2021.

Drª Jackeline Aparecida Ferreira Romio, membro do grupo de pesquisa Bem-Viver USP e atualmente pós-doutoranda da instituição, com bolsa pela FAPESP, apresentará a conferência “A experiência educacional e laboral de mulheres brasileiras em tempos de pandemia segundo raça/cor”.
A apresentação será aberta ao público e ocorrerá através da plataforma Zoom na Quinta-feira, 11 Março 2021:
6:00 PM Brasil
3:00 PM CST USA / México
4:00 PM Colombia
6: 00 PM Argentina
A conferência será em português. Para entrar, no dia reunião acesse o site Afrogrup, e clique no botão “click to access meeting”.
Contamos com a participação de vocês!