Bem-estar e universidade: representações sociais de estudantes da USP sobre saúde mental e vida acadêmica

Pesquisa publicada na Revista de Graduação da USP analisa como estudantes associam os conceitos de “bem-estar” e “universidade”, evidenciando tensões entre saúde mental, vida acadêmica e permanência estudantil.

Um estudo realizado com 634 estudantes da Universidade de São Paulo (USP) contribui para o debate contemporâneo sobre saúde mental no ensino superior ao investigar como universitários representam os conceitos de “bem-estar” e “universidade”. Os resultados indicam uma dissociação importante entre os sentidos atribuídos aos dois termos, sugerindo que a experiência universitária ainda é frequentemente associada a desgaste, pressão e sofrimento psicológico.

O artigo “As representações sociais de estudantes da Universidade de São Paulo sobre ‘Bem-estar’ e ‘Universidade’” foi publicado na Revista de Graduação da USP (Grad+ USP) e desenvolvido no âmbito do Grupo de Pesquisa Psicologia e Relações Étnico-Raciais, vinculado ao Instituto de Psicologia da USP. A investigação integra o projeto “Limites e Possibilidades para o Bem Viver de Estudantes Negros em Instituições de Ensino Superior”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

O estudo teve como autores Carlos Vinicius Gomes Melo, Danrley Pereira de Castro, Alessandro de Oliveira dos Santos e Karen Cristine Matos Santana pesquisadores envolvidos em investigações sobre psicologia social, saúde mental estudantil, relações étnico-raciais e políticas de permanência no ensino superior.

A pesquisa analisou palavras evocadas espontaneamente pelos estudantes diante dos termos “bem-estar” e “universidade”. Quando pensam em bem-estar, os participantes associam o conceito a saúde, tranquilidade, paz, felicidade, conforto, segurança, família, amigos, sono, alimentação, descanso, exercício físico e contato com a natureza. Já a universidade aparece relacionada a estudo, pesquisa, ensino, aula, professor, profissão e campus, mas também a ansiedade, estresse, cansaço, cobrança, pressão, medo e sofrimento.

Os resultados reforçam a compreensão de que o bem-estar estudantil não pode ser tratado exclusivamente como responsabilidade individual. A saúde mental universitária depende de condições institucionais, acadêmicas, sociais e materiais capazes de favorecer pertencimento, suporte social, acolhimento e equilíbrio entre demandas e recursos disponíveis.

O estudo também aponta desigualdades importantes na experiência universitária. As representações associadas a práticas de cuidado, como alimentação adequada, descanso, atividade física e acesso a suporte social, apareceram mais frequentemente relacionadas a estudantes brancos e de renda familiar mais elevada. Os achados evidenciam a necessidade de considerar desigualdades de raça, renda e trajetória escolar nas políticas de promoção de saúde mental no ensino superior.

Outro aspecto relevante identificado pela pesquisa refere-se à ambivalência da vivência universitária entre estudantes egressos de escolas públicas. Para parte desses estudantes, a universidade aparece simultaneamente como espaço de conquista e oportunidade, mas também de sofrimento, dificuldade e frustração. O dado reforça a importância de políticas estruturadas de permanência estudantil, assistência, acolhimento institucional e promoção de saúde.

Os resultados da pesquisa contribuem para ampliar o debate sobre governança psicossocial, permanência acadêmica e qualidade da experiência universitária. A investigação evidencia que saúde mental estudantil constitui dimensão central da vida universitária e elemento estratégico para instituições comprometidas com inclusão, permanência e justiça educacional.

O texto completo da publicação pode ser acessado na edição volume 9, número 1, de agosto de 2025, da Revista de Graduação da USP.

Produção: ASCOM EduWellTech, em colaboração com o Grupo de Pesquisa Psicologia e Relações Étnico-Raciais (IP-USP).

Grupo Bem Viver USP convida para Defesa de Mestrado “Bem-Estar Subjetivo de Estudantes Universitários negros e não negros: uma análise do caso USP” de Bruna Lanzoni Muñoz

No próximo dia 03 de Fevereiro, as 13h, no Bloco G, sala 18 do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, ocorrerá a defesa de Dissertação de Bruna Lanzoni Muñoz, intitulada “Bem-Estar Subjetivo de Estudantes Universitários negros e não negros: uma análise do caso USP”.

Trata-se do primeiro trabalho de pós-graduação concluído no âmbito do protejo Bem Viver USP do Grupo de Pesquisa Psicologia e Relações Étnico-Raciais.

A banca será composta pelas professoras: Lia Vainer Schucman (UFSC) e Adriana Marcondes Machado (USP), junto ao professor e orientador da Dissertação, Alessandro de Oliveira dos Santos (USP).

Seminário Aberto 13/09: “Por uma Psicologia Afrocentrada no Brasil: uma proposta de ensino, pesquisa e extensão”

Grupo de Pesquisa: Psicologia e Relações Étnico-Raciais, convida para o seminário aberto:
“Por uma Psicologia Afrocentrada no Brasil: uma proposta de ensino, pesquisa e extensão”, apresentado pela Professora Dra. Simone Gibran Nogueira.

Dra. Simone Gibran Nogueira é graduada em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (2003), mestra em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (2007) e doutora em Programa de Estudos Pós-Graduados (PEPG) em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2013), com bolsa CAPES de doutorado sanduiche na Georgia State University em Atlanta/EUA. Pós-doutora em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Atualmente, pesquisadora colaboradora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, pesquisadora do Coletivo de Salvaguarda da Capoeira de Campinas.

O Seminário é aberto e gratuito! Inscrições podem ser feitas enviando um e-mail com nome completo para o endereço: bemviverusp@gmail.com. O link de acesso será enviado no dia do evento para o e-mail dos inscritos.

Relações étnico-raciais e a inclusão na universidade” é tema de mesa em evento da FFLCH

O coordenador do grupo de pesquisa Bem-Viver USP, Professor Alessandro Santos, participará da mesa Relações étnico-raciais e a inclusão na universidade no Ciclo de Jornadas Saúde Mental, Saúde Física e Educação em Tempos de Pandemia. da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

O evento ocorrerá no dia 1 de setembro de 2021, às 10:30 em formato exclusivamente online e será transmitido ao vivo pelo canal do Youtube uspfflch, através do link: https://youtu.be/khusLYEkirk.

Esperamos vocês lá!

Relações Étnicos-Raciais e a Vivência dos Estudantes Amarelos

Nesse vídeo a aluna de Iniciação Científica e bolsista pela FAPESP Liliane Uratsuka, apresenta brevemente seu segmento de pesquisa: Relações Étnicos-Raciais e a Vivência dos Estudantes Amarelos.

Jackeline Romio – Bem-Viver, pensamento decolonial e políticas de promoção da igualdade étnico-racial

Neste vídeo a Dra. Jackeline Romio, conta um pouco sobre sua pesquisa de pós doutorado, intitulada: Bem-Viver, pensamento decolonial e política de promoção da igualdade étnico-racial.

Mulheres negras acadêmicas: preconceito, discriminação e estratégias de enfrentamento em uma universidade

Dados indicam que atualmente as mulheres compõe o maior número de ingressantes no ensino superior. Apesar da melhoria de acesso, diversos desafios se mantém presente na trajetória acadêmica, sobretudo quando considerados os marcadores raciais. Neste #OutubroRosa destacamos a importância de refletir sobre a saúde mental das mulheres pretas e pardas em todos os contextos sociais.

Em artigo publicado na revista Interfaces Brasil/Canadá, Bruna Lanzoni Munoz, Gisela Lays dos Santos Oliveira e Alessandro de Oliveira dos Santos, integrantes do grupo de pesquisa Psicologia e Relações Étnico-Raciais do IPUSP, discorrem sobre as experiências vividas por mulheres negras estudantes de uma universidade pública brasileira.

De acordo com excerto “Constatou-se que a concepção de ser mulher negra envolve necessariamente o desafio de construir uma autoimagem e uma identidade positivas e uma perspectiva de resistência. O preconceito e discriminação na universidade manifestaram-se por meio de experiências que indicam hostilidade, rejeição e impedimentos.

O estudo aponta ainda, os recursos de enfrentamento utilizados por essas estudantes frente a essas violências simbólicas “As estratégias de enfrentamento do preconceito e da discriminação, por sua vez, envolvem o apoio da família, o envolvimento com a estética, a religiosidade e a ancestralidade de matriz africana e a participação em coletivos organizados de estudantes negros dentro da universidade”.

O artigo na íntegra está disponível no site da revista.

Integrante do grupo de pesquisa: Psicologia e relações Étnico-Raciais, Gabriel Siqueira, disserta sobre noções de bem viver latino-americanas

Integrante do grupo de pesquisa Psicologia e relações Étnico-Raciais, Gabriel Siqueira, fará a defesa de sua dissertação: Noções de bem viver latino-americanas na perspectiva da psicologia: uma revisão de escopo (resumo abaixo). A apresentação ocorrerá remotamente no 19 de Outubro de 2020, com início às 15:00h (horário de Brasília, GMT-3). Interessados em assistir podem entrar em contato através do e-mail: bemviverusp@gmail.com.

Breve Resumo do Trabalho:

Há décadas, alternativas às noções eurocêntricas de bem-estar têm sido discutidas por muitos povos na América Latina, resultando, entre outros fatores, em um conjunto de ideias agrupadas como noções de bem viver. Em linhas gerais, as noções de bem viver latino-americanas formam um conjunto heterogêneo de ideias, em construção, que apresentam em comum propostas de bem-estar coletivo, baseadas em cosmovisões de povos indígenas deste continente, envolvendo relações comunitárias com um território. O objetivo desta pesquisa é apresentar um panorama da produção científica sobre o conhecimento relacionado às noções de bem viver latino-americanas no campo psi (Psicologia, Psicanálise, Psicologia Social). O eixo condutor é a investigação de tais noções e das possíveis contribuições deste conhecimento para o campo da Psicologia Social. Para tanto, foi realizada uma revisão de escopo, um tipo de síntese de conhecimento que segue uma abordagem sistemática para mapear evidências sobre um tópico e identificar as principais ideias, teorias e lacunas no conhecimento de determinado campo.